AVOA
Uma apresentação rapidinha.
Tudo o que nos tira da realidade, mesmo que por segundos, para mim é viagem. Desde uma aventura em um destino muito sonhado a uma paixão, o bar com amigos, um bom livro, um filme bacana e até aquela deitadinha no sofá para não fazer nada. De vez em quando pintam umas viagens que são verdadeiros pesadelos, mas é do jogo.
Sempre viajei. Quando criança lia sem parar ou ficava horas escondida dos irmãos sonhando acordada. Adulta, continuei nos livros, nas divagações em horas de descanso, passei a fazer longas caminhadas sem rumo e, sempre que o dinheiro dá, embarco para algum lugar. Quando não dá, me divirto pesquisando sobre aventuras alheias, livros, guias, lugares. Reúno tudo em arquivos que consulto para planejar e imaginar as próximas escapadas. Ou só por deleite.
Decidi dividir aqui o que encontro por aí sobre o assunto. Por puro prazer, sem preocupação de furos jornalísticos ou compromisso com tendências.
Se quiser me acompanhar, embarque e fique à vontade.
A Rua de Banana fica na Cidade Velha, na Ilha de Santiago, em Cabo Verde. Foi a primeira rua urbanizada do país. (Crédito: Annamaria Marchesini)
Na internet:
Mulheres 50+ que viajam sozinhas têm sido assunto constante nas redes sociais e editorias de turismo. Mas o movimento não é recente. O JourneyWoman é uma plataforma criada há 30 anos voltada para mulheres com mais de 50 anos que viajam sós. Ela começou como boletins informativos criados por Evelyn Hannon em 1994 e migrou para a internet em 1997. O site é considerado pioneiro como fonte de informações detalhadas sobre segurança, saúde, cultura local, experiências e outros aspectos importantes para as mulheres que viajam desacompanhadas. Há uma boa pesquisa sobre o assunto no “About us”.
A revista Wanderlust publica inspirações, destinos e até um guia para viagens “verdes” (“para os viajantes que se importam”). Ela acaba de lançar a lista “Good to Go: Where to travel in 2025”. O Rio está lá entre 25 destinos.
Quem tem pouco tempo para conhecer os lugares pode dar um pulo na seção 36 Hours, do jornal New York Times. A proposta da editoria é sugerir roteiros interessantes para um fim de semana em diversas cidades do mundo. Algumas costumam estar nos roteiros normais de turismo, mas também há destinos pitorescos.
Nos Livros:
A escritora Isabelle Eberhardt teve uma vida curta e intensa. Criada para ser livre, saiu de Genebra – onde nasceu em 1877 – aos 20 anos para viver na Argélia e escrever sobre hábitos, costumes e conflitos do Magreb africano. Num tempo em que às mulheres quase nada era permitido, Isabelle vestiu trajes masculinos e, com o nome Mahmoud Saadi, circulou sozinha pela região, frequentando ambientes jamais visitados por mulheres e escrevendo sobre o que via e acontecia para a imprensa francesa e argelina. A historiadora Paula Carvalho conta a vida da escritora e organizou uma coletânea de seus textos no livro “Direito à vagabundagem: As viagens de Isabelle Eberhardt”, da editora Fósforo, traduzido por Mariana Delfini.
A jornalista Nellie Bly chocou o mundo em 1889 ao dar a volta ao planeta em apenas 72 dias. Inspirada pelo livro "A Volta ao Mundo em 80 Dias", aos 24 anos ela se propôs a fazer a viagem em menos tempo e deixou Nova York sozinha, com uma maleta de mão, para cruzar mais de 40 mil quilômetros em navios, trens e outros meios de transporte. Os relatos foram publicados no jornal New York World, de Joseph Pulitzer. A viagem que quebrou preconceitos e fez história no jornalismo está no livro “Nellie Bly - A Volta ao Mundo em 72 Dias”, da Ímã Editorial, traduzido por Carla Cardoso.
Encontrei este mimo na Livraria Mantiqueira, em Santo Antônio do Pinhal (SP) e fiquei encantada. Criado pelo jornalista Ronny Hein e ilustrado por Eva Uviedo, “Queria ter ficado mais” reúne 12 relatos femininos sobre cidades por onde as escritoras passaram e que marcaram suas vidas. São textos sensíveis, emocionantes, em forma de cartas, guardadas em envelopes delicadamente ilustrados. Uma lindeza editada pela Lote 42.
Nas redes:
@Joviajando é onde Josefa Feitosa, que se define como “mulher preta, vidóloga, cidadã do mundo”, mostra aos seguidores suas viagens pelo Brasil e diversos países. Jô planejou tudo direitinho e, depois de aposentada, saiu por aí, fazendo amigos por onde passa. Sua página do Instagram é um desfile de boas histórias, sem frescura e com muita alegria. Ela até inspirou uma peça de teatro que conta um pouco de sua vida.
@ViajaGorda conta as viagens da jornalista Polly Marques, que fala sobre locais, viagens e acessibilidade. “Viagem como cura, não fuga.💟Feminismo anti-gordofobia” é como ela apresenta seu perfil e o segue fielmente. Polly dá ótimas informações sobre seus destinos, conta as belezas e os perrengues, usando suas experiências para orientar as viajantes solo.
@Bicicletaman é o perfil do espanhol Cristian Calvet. Sozinho e de bicicleta, ele percorreu o continente americano e agora se aventura pelo Oriente. Cristian é agrônomo e divide seu tempo entre o trabalho na Espanha e os meses de folga pedalando pelo mundo. Escrevi sobre ele para o Turismo do UOL e até hoje trocamos mensagens. Aqui está a matéria.
Nas telas:
Vi e revi (e provavelmente voltarei a assistir) o documentário “Will & Harper”, da Netflix. Ele não é sobre destinos ou turismo. O filme fala de amizade e coragem. “Will & Harper” acompanha a viagem de carro que o ator Will Ferrell e sua amiga Harper Steele, roteirista de cinema e do programa Saturday Night Live, fazem pelos Estados Unidos, visitando os lugares que ela gostava de ir antes de fazer a transição de gênero. Porque antes de ser Harper, ela foi Andrew. Com Will ao seu lado (e a equipe de produção) e como uma mulher trans, Harper foi a locais de trabalho, bares de beira de estrada, estádios de esporte, cidades decrépitas e restaurantes caríssimos. Enquanto se reconectavam durante o caminho, o ator ficou ao lado de Harper na jornada em que ela encontrou acolhimento, mas também transfobia e de preconceito nas profundezas conservadoras dos EUA. (Direção de Josh Greenbaum, Netflix)
Fui e gostei:
A senegalesa Binya, na praça do mercado de Mindelo, em Cabo Verde. (crédito: Annamaria Marchesini)
Há alguns anos, fui a Mindelo, em Cabo Verde, terra da inesquecível cantora Cesária Évora. Viajei para ser voluntária na ONG Simabô. Eles cuidam de cães e gatos abandonados, buscam adoções responsáveis, fazem castrações gratuitas e promovem educação sobre o bem-estar animal. Até hoje sinto saudade. O povo é acolhedor, as paisagens vulcânicas são únicas e o mar, deslumbrante. No abrigo, eu dava carinho e passeava com os animais. Voltava cansada e feliz. Os mindelenses falam português e crioulo e adoram conversar. Se você ama animais e quer conhecer um lugar incrível, voluntarie-se no Simabô. De lá dá para visitar outras ilhas do arquipélago, como a indescritível Santo Antão, cheia de paisagens e costumes únicos. Escrevi sobre minha experiência no Medium. @Simabô.
Quero ir:
Tresigallo. (Crédito: KiligTravelBlog)
Sou uma curiosa a respeito de Arquitetura e foi esta curiosidade que me levou a “descobrir” Tresigallo, enquanto buscava informações sobre arquitetura italiana. Com uns 4 mil habitantes, Tresigallo fica perto de Ferrara e foi redesenhada nos anos 1930 por Edmondo Rossoni, ministro da Agricultura e Florestas do ditador fascista Benito Mussolini e que nasceu lá.
Inspirado pelo racionalismo arquitetônico, caracterizado pelas linhas retas, ausência de elementos decorativos, uso de concreto e vidro e planejamento funcional dos espaços, Rossoni decidiu modernizar sua cidade e planejou avenidas, praças, escolas, fábricas e estradas, conectando Tresigallo à região. Depois da 2a. Guerra Mundial, Mussolini foi destituído, o regime fascista colapsou e a cidade entrou em declínio, mas sua arquitetura é preservada e continua atraindo estudiosos.
Espero que tenha se divertido com minhas viagens!
Até a próxima!









Eu tinha perdido a primeira edição, que vergonha! 🤔 Mas li agora e adorei, Anna! Já li e compartilhei a segunda! Sucesso!! 😘
Amei, Annamaria!