AVOA *4
Indicações para mulheres que viajam sozinhas e para quem quer viajar fazendo o bem e economizando. O "efeito White Lotus" ou o impacto das locações de TV e cinema nas viagens.
A foto_

Nos Livros_

Na vida_
_Foi na marra que comecei a me aventurar sozinha no mundo, porque minhas férias não coincidiam com ninguém com quem eu teria prazer em viajar. Nunca me veio à mente adiar uma viagem por isso. Gostei e viciei. Levo meu inglês capenga, o italiano claudicante, pouco dinheiro (sempre) e milhares de borboletas batendo asas em meu estômago. Até aquele medinho de dar alguma m*rd* no caminho aduba o prazer de partir em uma aventura solitária. Livre e solta, mudo planos quando quero, caminho horas sem destino, embarafusto por ruas distantes de rotas turísticas, me perco (sempre) sem ninguém reclamar por isso, entro em botecos e cantinas frequentados por moradores locais e puxo conversa com quem me parece interessante. Já tive perrengues, óbvio, mas nunca levei grandes sustos. Aprendi na prática a tomar medidas para evitar problemas:
Peço dicas de segurança a quem já conhece o lugar
Só saio do Brasil com seguro saúde
Pesquiso antes os lugares bacanas que realmente precisam ser visitados
Leio sobre hábitos e costumes dos lugares que visitarei para respeitá-los.
Baixo aplicativos e contatos úteis (polícia, mapas offline, voos econômicos, passagens de trem, embaixadas e consulados brasileiros etc)
Pesquiso como ir do aeroporto ou estação de trem à minha hospedagem e mantenho algumas pessoas a par de meus itinerários
Geralmente fico em quartos de AirBNB ou hostels para poder conversar, pegar dicas, gastar menos e melhorar meu inglês e italiano
Levo pouca bagagem (mas ainda estou distante do ideal) e remédios de urgência
_O resto vou descobrindo na viagem. Gosto de observar lugares e pessoas, ler jornais locais impressos, experimentar cafés e cervejas da região, descobrir exposições bacanas, descansar nas praças, visitar jardins botânicos e hortos, me esticar nas praias, buscar os melhores lugares para admirar o pôr do sol e levantar cedo todos os dias para ver as cidades acordando. Não sou de explorar a vida noturna. Volto plena.
_Se você também curte viajar só ou quer experimentar, aqui estão sugestões pinçadas de uma matéria do New York Times para viajantes solitárias.
Onde ir_
_ Wanderful - é uma rede paga com núcleos em várias partes do mundo e uma comunidade online que ajudam mulheres que viajam desacompanhadas.
_ Unearth Women - plataforma feita por mulheres que apoia as viajantes e os negócios de mulheres no mundo. Possui Guias de Cidades Feministas on-line, com recomendações de hotéis e restaurantes. Oferece dicas, tendências, e conselhos práticos.
_ Wanderess - guia com informações de mulheres especialistas em viagens para aventuras transformadoras. Com dicas personalizadas para os diversos tipos de viajantes, como mulheres negras, LGBTQIA+ e mães de primeira viagem, por exemplo.

Esta imagem da página de São Paulo no HoodMaps é de divulgação. Quando você entrar nela verá que há muito mais informações. Dá uma olhada AQUI. _ Hood Maps - mapas interativos e bem humorados, politicamente incorretos, alimentados com informações pelos próprios viajantes sobre as cidades que visitam. Em Nova York há a área “onde os ratos mandam depois das 2 da manhã”, por exemplo. Em São Paulo, na região da Estação Julio Prestes o alerta é “The Walking Dead - não venha aqui”. Zoados, mas úteis.
Antes da viagem_
_ Instale o app Find my Friends, da Apple, ou o Life 360, para Android, para compartilhar a localização de seu telefone com quem você quiser. A matéria sugere a aquisição de um plano telefônico internacional com dados ou o download de um eSIM.
_Faça o download do Google Maps para seus destinos, para não depender da conectividade do seu celular para navegar. Nem sempre há internet na área.
Quando chegar_
_ Converse com os locais e com o pessoal de sua hospedagem para saber sobre os lugares bacanas, áreas seguras e o que evitar
_ Em lugares públicos fique de olho ao que acontece ao redor, evite aproximações suspeitas, atente aos seus caminhos, procure saber a maneira mais segura de voltar para a hospedagem quando sair à noite.
_ Leve só um cartão e divida o dinheiro vivo em diferentes bolsos. O Apple Pay também pode ser uma opção pra quem tem iPhone.
_ Cuidado com a bolsa, mochilas e o celular. Mantenha-os na frente do corpo.
_ Cartão de crédito de emergência ou dinheiro em mãos são úteis em caso de mudança de planos ou de acomodação (aconteceu comigo em Roma).
Para conhecer pessoas_
_ NomadHer - é um aplicativo para mulheres que viajam e que formam uma comunidade que estimula a conexão entre as viajantes, combinando encontros, tirando dúvidas, compartilhando experiências e apoiando umas às outras.
Também há no Brasil comunidades online voltadas para as mulheres viajantes, solitárias ou não, como a SisterWave e a Elas Viajam Sozinhas, por exemplo, que se propõem a oferecer apoio com conexão, informações, sugestões, viagens especiais e por aí afora. Se você prefere ter uma rede de apoio, procure se informar sobre estas plataformas.

Em uma de minhas viagens sozinha à Itália, conheci Orgosolo, no interior da Sardenha, com cerca de 4.500 habitantes e que se caracteriza pelos murais políticos pintados por artistas em suas paredes. Escrevi sobre ela para o UOL. Leia aqui: “De anarquistas a antifascistas, a arte política nos muros de uma vila italiana” (Foto de Annamaria Marchesini)
Viajar e ajudar_
Unir viagem ao trabalho voluntário é somar o prazer da aventura ao bem estar de fazer o bem e ainda economizar. Isso porque alguns projetos que precisam de voluntários garantem estadia e alimentação. Às vezes oferecem também o translado do aeroporto. Outras despesas relacionadas à viagem, como voos, visto, seguro de viagem etc são custeadas pela pessoa. Se você ainda não tem esta experiência, recomendo. Não importa de onde seja, quantos anos tenha ou como se identifique em relação ao gênero.
Seguem aqui algumas plataformas mais conhecidas nas quais os projetos costumam oferecer estadia:
_ VolunteerWorld - reúne programas de voluntariado internacional em diversas áreas oferecidos por organizações de voluntários e ONGs locais.
_ Worldpackers - plataforma online que conecta viajantes que buscam trocar suas habilidades por acomodação, com anfitriões à procura de ajuda voluntária.
_ Global Volunteers - trabalha em diversas áreas para melhorar o bem-estar de crianças e famílias, com programas de curto prazo, alinhados aos ODS da ONU.
_ WorkAway - comunidade para intercâmbio cultural, trabalhos de férias, voluntariado e house sitting em 170 países.
_ Trusted House Sitters - conecta donos de casas que precisam de alguém para cuidar de suas casas e animais enquanto viajam, com viajantes que buscam acomodação gratuita em troca de seus serviços.
Pelo Worldpackers fiz trabalho voluntário em Cabo Verde, para a ong Simabô, que abriga e cuida de cachorros e gatos abandonados, tratando-os e os preparando para a adoção, além de fazer campanhas de orientação para a população aprender a lidar com os animais de estimação. Foi bom demais.
Pelo Trusted House Sitters, troquei os cuidados com um cachorro idoso, o Rebel, em Noicattaro, na Puglia, pela estadia, enquanto a família ia passar o fim de semana em Florença. Em Vicenza, fiquei na casa de uma professora holandesa, que dava aulas de inglês numa escola internacional, para cuidar de seus gatos enquanto ela ia a um casamento na Sicília. Contei minha experiência no Medium.


Cuidei de Rebel, na Puglia, e de Jabu, em Vicenza, em troca de hospedagem. Nas telas_

Foto de divulgação da terceira temporada da série White Lotus que, desta vez, se passa em um resort de luxo na ilha de Koh Samui, na Tailândia. (MAX) Está sendo chamado de "efeito White Lotus" as influencias que os principais filmes e séries de TV, cinema e streaming provocam na maneira como viajamos. Leia na BBC.
Fui e gostei _

Não fui e quero ir_

Espero que esta edição tenha sido uma boa viagem!
Até a próxima!


Totalmente bacana! Show de bola, Anna!
Anna, querida, adorei! Fez-me lembrar do Guben, um gato para o qual eu costumava fazer catsitting em Luanda quando os donos dele viajavam em férias para os Estados Unidos (de onde era o marido) ou Finlândia (terra da esposa). Obrigado por publicar minha singela fotinho. 🙏🏻