AVOA*27
Novidade: álbum de viagem! E mais o Vale do Catimbau, a crônica do Sergio Ignacio, o último trem soviético, caos em aeroportos, Copa do Mundo e viagens literárias, a começar pela Feira do Livro de SP.
Na foto_

Na frase_

Na crônica_
Desejo e imigração
Quando deixamos de ser amáveis
“Somos amados. A questão é que, quando não formos mais aquilo que nos tornou amáveis — beleza, cognição, status, “fama” — o que será de nós? Eu tô com medo. Pessoas não são descartáveis.”
O que me atravessa nesse texto não é a velhice. É a condição.
A ideia — incômoda, mas difícil de negar — é de um post recente do Dr. Vinícius Borges, médico geriatra e infectologista, de que o amor circula melhor quando há atributos que o sustentem. Como se houvesse, silenciosamente, uma economia do afeto. E nela, alguns valores contam mais: aparência, relevância, lugar, cultura e status financeiro.
Enquanto isso está de pé, a gente não se pergunta muito. Mas basta um deslocamento — no corpo, na idade, no contexto — para que a pergunta apareça.
A partir do pensamento do médico compartilhado nas redes, tenho pensado nesse deslocamento a partir de um sujeito muito específico: quem envelhece em trânsito. Quem atravessa fronteiras depois dos 60, não por ruptura, mas por escolha, por projeto, por vida ainda em movimento — e pela delícia, quando se tem possibilidades, ou pela coragem, quando surge a necessidade de reinvenção em busca de oportunidades — e chega em outro país com uma espécie de perda que não é exatamente visível.
Não é só a língua e o sotaque. É uma perda de leitura. De repente, tudo aquilo que organizava a sua presença — repertório, humor, referências, história — deixa de operar. E o que aparece no lugar disso é um corpo que precisa ser interpretado de novo. Um corpo mais velho, estrangeiro e fora de eixo.
Há algo de silencioso nessa experiência. Não é necessariamente rejeição, mas também não é reconhecimento. Lembro de quando trabalhei num projeto de pesquisa e conceito — lá se vão mais de 20 anos — com a antropóloga, pesquisadora, escritora e professora Miriam Goldenberg, quando ela já falava da velhice como perda de valor simbólico. Mas talvez o que esteja em jogo aqui não seja apenas perder valor. É perder o código que traduz valor.
Porque, fora do seu lugar de origem, você pode continuar sendo quem é — mas isso já não é imediatamente legível. E, sem legibilidade, o valor não circula. Talvez seja por isso que a questão do desejo de pertencer pesa tanto. Não no sentido romântico, mas, no sentido estrutural, Jacques Lacan comenta que a gente não se sustenta sozinho no campo do desejo. Existe sempre o outro, esse lugar onde o reconhecimento se organiza.
O problema é quando esse espelho falha. Quando já não sabemos exatamente como estamos sendo vistos — ou se estamos sendo vistos. E, então, o medo aparece. Não como dramatização, mas como percepção. Não é medo de envelhecer. É medo de deixar de contar. De se tornar periférico numa lógica que privilegia o que é rápido, útil e visível. E que tem pouca paciência para aquilo que exige tempo — inclusive a leitura de um outro corpo, história ou língua.
Newton Bonder, propõe uma ideia que me interessa: a de uma dignidade que não depende da performance. Algo que não oscila com a perda de atributos. É uma ideia exigente, uma vez que não encontra confirmação fácil no cotidiano. O dia a dia, em geral, responde de outro jeito. Talvez por isso a frase final do texto inicial do Dr. Borges soe menos como constatação e mais como afirmação necessária: pessoas não são descartáveis.
E é aqui que eu volto à pergunta. O que acontece quando deixamos de ser aquilo que nos tornou amáveis? Talvez o que se rompa não seja o amor em si, mas o tipo de amor que depende de reconhecimento imediato, de encaixe, de correspondência com uma expectativa. O que resta, então, não é ausência — mas deslocamento. E talvez seja nesse deslocamento que algo novo possa surgir. Não um retorno ao que se era. Mas uma outra forma de presença. Menos apoiada naquilo que nos tornava facilmente reconhecíveis.
E mais sustentada em algo que não precisa, o tempo todo, ser validado pelo olhar do outro. Não é simples. E não elimina o medo. Mas talvez mude o lugar de onde a pergunta é feita e, assim, passamos a nos amar mais — cada vez mais — até que o olhar mais longínquo entenda que se trata muito mais de quem é o indivíduo do que do lugar em que está inserido e da fronteira à qual pertence. (No Público Brasil)
Nos aeroportos_
Um alerta: se está indo pela primeira vez à Europa este ano e não tem cidadania de um país europeu, evite escalas curtas. Desde abril a implantação do EES (Entry/Exit system) está causando filas imensas, atrasos e, consequentemente, perda de voos (principalmente Portugal, Espanha, Holanda e França). O The Calm Traveler explica tudo didaticamente.
O EES substitui os carimbos manuais nos passaportes e registra a entrada e a saída de viajantes não pertencentes à UE nos países do Espaço Schengen. Dizem que o aplicativo Travel Europe agiliza o processo. Há controvérsias.
Nos planos de viagem_

É emocionante conhecer a Acrópole de Atenas. Para mim, a sensação foi a de “estar” na História. Ela foi construída por volta de 450 a.C. e dedicada à deusa Atena, protetora da capital da Grécia. Entre as ruínas de suas construções originais, ainda restam edificações importantes, como o Propileu, o Partenon, o Erectéion e o Templo de Atena Nice, símbolos da antiga Atenas. O Partenon é um dos monumentos mais importantes da antiga civilização grega e foi erguido entre os anos 447 e 438 a.C. (Foto Annamaria Marchesini) Já que começamos pela Europa, o Viaje na Viagem fez um guia com 12 passos para montar uma viagem ao velho continente.
O New York Times indica o que fazer para quem só pode passar 36 horas em Barcelona.
A Viagem e Turismo criou roteiros para conhecer os vinhos do Alentejo, em Portugal.
Para fugir das multidões que percorrem os caminhos tradicionais do turismo em Roma, o jornal La Nacion criou uma rota não convencional na capital italiana.
Num ano cheio de feriados prolongados, aqui está a sugestão da Folha para 3 dias na Praia da Pajuçara, em Alagoas.
Nos universos distintos_

Faça um passeio pela Antártica através das belas fotos da Trendland.
Acompanhe a viagem do fotógrafo africano Tamimé Bourdanné, do Níger ao Benin, com imagens capturadas pela janela do carro.
⚽🏆🌍⚽🏆🌎⚽🏆🌏⚽🏆⚽🏆🌍⚽🏆🌎⚽🏆🌏⚽🏆⚽🏆🌍⚽🏆🌎
Na Copa_
Está abaixo do previsto a procura por hotéis nos EUA durante a Copa do Mundo por viajantes internacionais. Motivos: preços altos das passagens aéreas e as dificuldades para obter visto de entrada impostas pelo governo estadunidense. Aliás, como conta o Obsessed Daily Beast, os turistas estão boicotando os EUA em níveis recordes após a posse de Trump.
Se você vai à abertura da Copa do Mundo no dia 11 de junho, no Estádio Azteca da Cidade do México, dê uma olhada neste roteiro que a Folha indica para conhecer a cidade.
Os preços altos dos ingressos para os jogos da Copa inspiraram a campanha “Tickets-Tickets”, da agência canadense Courage Montreal para a empresa aérea Air Transat. É simples: comparando preços dos ingressos com os de passagens, ela mostra que é mais barato conhecer os países do que assistir aos jogos de suas seleções em campo.
Na natureza_

A Travel + Leisure propõe que o leitor descubra as 25 melhores trilhas do mundo. Entre elas a de Petra, na Jordânia, e a Laugavegur Trail, na Islândia. O Caminho de Santiago também é citado.
Conhece a Chapada das Mesas? O UOL dá um gostinho dela aqui.
E Shropshire? É um recanto na divisa da Inglaterra com o País de Gales e a Wanderlust publicou 7 roteiros de caminhadas por lá. Todas começam e terminam em estações ferroviárias.
Nos trens_

Quando planejo uma viagem ao Exterior, procuro trechos que poderei fazer de trem, mesmo que seja mais caro do que avião ou ônibus. Tenho prazer em sentar na janelinha de um vagão e observar as paisagens correndo. Sinto falta disso no Brasil, que possui algumas linhas turísticas e só duas linhas regulares de longa distância para passageiros: de Cariacica (ES) a Belo Horizonte (MG) e de São Luís (MA) a Parauapebas (PA). Mas parece que o governo federal está se mexendo para investir nas ferrovias.
Em outros países há trens à vontade. Atente para estas sugestões:
O último trem soviético em operação, o Prietenia, viaja entre Chisinau, capital da Moldávia, e a capital romena Bucareste.
O New York Times mostra 5 linhas de trens na Noruega, Nova Zelândia e Nevada (EUA), com viagens noturnas para observar as estrelas.
O UOL indica 7 viagens de trem no Japão.
A partir de junho, uma linha noturna ligará Milão a Amsterdam, em 12 a 14 horas. O trem operará três vezes por semana em cada sentido.
Entre 6/6 e 18/10, voltará a circular o Comboio histórico do Douro, em Portugal, que percorre o Alto Douro Vinhateiro, Patrimônio da UNESCO.
O Trenino Verde delle Alpi vai da cidade italiana Domodossola, no Piemonte, a Berna, na Suiça, numa viagem pelos vilarejos e as paisagens dos Alpes suíços. Ele permite fazer paradas ao longo do caminho.
O Tren Solar de La Quebrada percorre cidades da província de Jujuy, vizinha aos Andes e acima de 2 mil metros de altura, na Argentina. Ele foi o primeiro trem turístico movido a energia solar na América Latina.
O Trem Patagônico liga o Oceano Atlântico aos Andes, fazendo o percurso de 800 km entre Viedma, no litoral argentino, à andina San Carlos de Bariloche.
Na literatura_
Se não está em São Paulo, aqui está um bom motivo para ir: a Feira do Livro de São Paulo 2026 começa no dia 30/5 e vai até o dia 7/6, na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu. É gratuita e vale muito!
A newsletter Drops Solares selecionou “5 livros que são uma viagem”
O guia “Seis maneiras para ver livros raros em Londres” está no NYTimes.
O NYT também indica romances clássicos e contemporâneos para entender a França, o Japão, a Índia, o Reino Unido e o Brasil.
E a National Geographic sugere viagens literárias para todos os amantes de livros
No excesso_
Coluna de Carlos Madeiro, no UOL, fala sobre a luta das famílias tradicionais do arquipélago de Fernando de Noronha, para obter o reconhecimento de que são descendentes do núcleo fundador da ilha. A causa: a explosão do turismo e a ocupação da ilha por clandestinos.
Na plataforma de urbanismo Caos Planejado, o pesquisador Alon Levy, associado no programa de Transporte e Uso do Solo do Instituto Marron da NYU, diz que não existe turismo em excesso.
No álbum de viagem_




País Basco
A forte identidade cultural do País Basco é visível na forma como a região conserva sua história. Entre os lados espanhol e francês, a arquitetura é preservada e a convivência natural entre o espanhol e o francês com o basco está nas placas, nos avisos e no cotidiano. A gastronomia, tanto nas aldeias francesas quanto nas espanholas, é autêntica e merece atenção aos Pintchos no lado da Espanha. São deliciosos e verdadeiras obras de arte na construção da forma e sabor. No lado francês vale provar o Ttoro, um tipo de caldeirada com diferentes peixes, marisco, tomate, alho e vinho branco, carro chefe em St Jean-de-Luz. No lado espanhol, o destaque fica para Bilbao, onde o impacto do Guggenheim ultrapassa o museu em si e se estende à transformação urbana e cultural da cidade, que passou a ter presença marcante no mapa do turismo e da arte. No lado francês, a visão da Rocher de Vierge, em Biarritz, encerra o percurso com charme à beira mar, muitas listras azuis, chapéus, echarpes e o mar rebelde. (Sergio Ignacio)
O álbum de viagem é a novidade da AVOA*27, com a visita feita pelo nosso cronista Sergio Ignacio ao País Basco, região cheia de história e cultura, entre o norte da Espanha e o sudoeste da França. O álbum será eventual, para surpreender os leitores.
Espero que esta edição tenha te informado e inspirado!
Até a próxima!


Catimbau na minha lista de desejos !
Excelentes inspirações logo cedo, ainda mais com viagens literárias e País Basco, que é um dos sonhos de consumo!