AVOA*28
Novidade! A "Palavra de viajante" estreia com Josefa Feitosa, mulher 60+ que se aventura sozinha pelo mundo. Guia completo da Copa, Visa e Mastercard deixam Cuba, festas juninas, museus e o Le Marais.
Na foto_

Na frase_
“Deixei fugir a minha mocidade, deixei passar o espírito de viagem, sem o qual é vão percorrer as sete partidas do mundo.” - Carlos Drummond de Andrade em “O Poema da Bahia que não foi escrito”
Na crônica_
O trágico testemunho da natureza humana.
Quando o poder, a política e o dinheiro condenam uma nação por meio de seus líderes.
O trem rápido, silencioso e com serviço amável que me leva para Cracóvia está muito distante dos trilhos que, em 1942, transportaram aproximadamente 300 mil judeus de Varsóvia para o campo de Treblinka, para escreverem com dor, sob a tutela de um nazista-fascista, um dos momentos de maior crueldade da história do mundo. Em 1944, após o levante do Gueto de Varsóvia, chegou-se a um total de 1,1 a 1,5 milhão de pessoas enclausuradas, onde a maioria foi exterminada em Auschwitz-Birkenau, Majdanek, Treblinka e outros 30 campos principais, além dos subcampos, somando, no período de 1933 a 1945, seis milhões de judeus.
Na velocidade de mais de 200 km por hora, no moderno Pendolino da Express InterCity Premium, meu olhar, acompanhado por gentis poloneses e dezenas de outras nacionalidades, percorre a verde paisagem dos campos na primavera do Leste europeu.
É difícil imaginar que este trajeto, abundante, florido e agradável, está em fotos e vídeos que expressam dor, terror, destruição, racismo, xenofobia, machismo e violência nas paredes da arrojada arquitetura do Museu POLIN, dos arquitetos finlandeses Rainer Mahlamäki e Ilmari Lahdelma.
São 81 anos que nos separam dos tempos do terror, a um país integrado, receptivo e gentil à comunidade de brasileiros e portugueses que elegeram, por questões de pesquisa, estudo e outras oportunidades, viver numa cidade limpa, organizada e, acima de tudo, respeitosa com o outro. No total, estima-se que 1,5 milhão de imigrantes vivam na Polônia, de acordo com o ZUS – Instituição de Seguros Sociais da Polônia –, onde famílias da Ucrânia, Bielorrússia, Geórgia, Índia e Colômbia colaboram nos setores de logística, tecnologia, culinária e serviços. A comunidade brasileira representa um número ainda tímido de 3.000 pessoas, inseridas no mercado de tecnologia da informação, finanças, logística e no ensino de idiomas. Os portugueses, assim como os brasileiros, em número reduzido, também ocupam posições na indústria de tecnologia, auditoria e finanças, com a vantagem competitiva de serem membros da União Europeia. Brasil e Portugal juntos e em harmonia em outro território.
A história, os números e as rígidas e organizadas leis de imigração da Polônia me fazem pensar por que o encontro com portugueses em solo polonês é mais gentil — quase fraterno — e , quando as duas nacionalidades se encontram em Portugal, surge o estranhamento, além do caos da infra estrutura da AIMA com todos que chegam, fomentando , então , insegurança e discórdia .
São centenas de advogados portugueses oferecendo serviços jurídicos voltados à imigração e criando joint ventures com escritórios brasileiros, com alto investimento publicitário nas plataformas digitais.
Fico confuso com essa aproximação junto ao levante de um muro moral, burocrático, ultrapassado e confuso.
Isso me faz pensar que os homens que são parte da liderança política a qual me refiro no título deste ensaio são os principais responsáveis por cindir processos que a Polônia, junto com a Espanha e outros países, vem demonstrando que a regra, quando adequada e respeitosa, vence o equívoco de líderes em manter uma sociedade presa — quase como o gueto que vi em ruínas em Varsóvia — nos seus mesquinhos projetos de poder e dinheiro, a ponto de criar uma das maiores crises habitacionais que Portugal vive nos últimos anos. Portugueses sem condições de morar no seu próprio país e imigrantes, atraídos por promessas, lidam com o derretimento dos seus investimentos emocionais e financeiros .
No Leste europeu, o pesquisador polonês mais influente na área de estudos migratórios, Marek Okólski — fundador do Centro de Pesquisa sobre Migração da Universidade de Varsóvia — ajudou a formular a ideia de que a Polônia passou de país de emigração para país de imigração. Ele não defende fronteiras totalmente abertas e argumenta que: “a imigração é uma consequência normal da globalização; sociedades envelhecidas, como a polonesa, precisam de trabalhadores estrangeiros; a integração dos migrantes é uma questão de política pública, não uma ameaça inevitável à identidade nacional.” Este conceito e pesquisa estão no livro 30 Lições sobre Migrações, publicado em 2025.
Uma outra autora postula o conceito de que “…remessas sociais”, segundo o qual pessoas que migram levam e trazem ideias, valores e práticas que transformam as sociedades de origem e destino, são agentes potentes para o crescimento de uma nação …” presente no livro O Impacto da Imigração na Polônia, da pesquisadora Izabela Grabowska.
Penso que, a partir da visita que fiz à Polônia e da integração como imigrante nas conversas em espaços públicos e órgãos de informação, a forma como Portugal tende a desprezar a nacionalidade brasileira — que mantém a língua viva e a economia girando por meio de investimentos imobiliários, tecnologia da informação, empresas e serviços — é vista ou distorcida por pequenos e erráticos exemplos presentes em qualquer sociedade.
É um trágico testemunho da natureza humana.
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Na Copa do Mundo_
Três países, 16 cidades-sede, 104 jogos e o recorde de 48 seleções na disputa. Mesmo com a política imigratória de Donald Trump e os altos preços dos ingressos (veja na edição anterior), a Copa 2026 está empolgando milhões de pessoas no mundo. E o New York Times, que define o Mundial como “a maior festa do planeta”, publica um guia cidade a cidade, para quem vai assistir os jogos nos estádios.
O Globo fez matéria para quem quer curtir Nova York, Filadélfia e Miami durante o campeonato mundial de futebol.
Na Viagem e Turismo, matéria sobre as mostras temáticas que o Museu da Fifa fará sobre a Copa e o futebol em Miami, Nova York e Vancouver, onde jogos do Mundial serão disputados.
Juliana Gomes, em seu Jornal do Veneno, traz um outro olhar sobre os primeiros adversários do Brasil na Copa: a situação alimentar no Marrocos, no Haiti e na Escócia.
Nas festas juninas_
São João está aí (dia 24/6) e, para quem gosta de festas juninas, chegou a hora do quentão e das quadrilhas. A Vogue selecionou 7 festas juninas no Brasil para quem quiser viajar e festejar.
Já a Viagem & Turismo publica o Calendário das melhores festas juninas de São Paulo em 2026.
Em Cuba_

O turismo cubano, um dos pilares da economia de Cuba, sofreu mais um abalo: desde o dia 6 de junho foram encerradas as operações dos cartões Visa e Mastercard no país. Motivo: a ordem executiva assinada por Donald Trump em maio, que prevê sanções contra indivíduos e empresas que mantenham laços econômicos, comerciais ou financeiros com o governo cubano. Grandes redes de hotéis, como a Meliá, Iberostar e Iberia, estão fazendo o mesmo. Ao viajar para Cuba, verifique as alternativas de pagamento aceitas no país.
Nos museus e palácios_
A TimeOut listou 12 museus que todos nós deveríamos visitar ao menos uma vez em nossas vidas.
Fechado aos visitantes desde a pandemia, o Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, reabriu suas portas. É só reservar horário para conhecer a residência oficial do governador do estado e seu acervo.
Em Salvador, o Palácio Rio Branco, antiga sede do governo e fechado desde 2021, foi entregue à iniciativa privada e, depois de obras de restauração, abrigará um hotel de luxo. Ele faz parte da história da cidade desde o século 16, quando o primeiro governador-geral do país, Tomé de Sousa, mandou construir a primeira Casa de Governo da colônia portuguesa.
Nas ilhas italianas_

O Castello Aragonese é um símbolo da ilha de Ischia, no sul da Itália, e sua história é rica e interessante. A primeira vila foi erguida no século 5o. aC onde hoje vê-se o castelo. Em 1911, o advogado Nicola Ernesto Mattera o comprou em ruínas, mudou-se para lá e, com a família, iniciou sua restauração. Atualmente, o Aragonese está com a terceira geração da família Mattera, que o mantém aberto ao público durante todo o ano, é responsável por sua manutenção e restauração e lá promove eventos culturais. (Foto Antonio Vivace/Unsplash) A AFAR apresenta um guia de viagem sobre as águas termais da ilha de Ischia, no sul da Itália. A ilha é perto de Nápoles e possui termas em cavernas, piscinas naturais e parques. Delícia, hein?
A ilha de Giglio fica na costa da Toscana e a Travel+Leisure a indica suas praias e trilhas para quem quer desfrutar do verão europeu longe da badalação.
Falando em badalação, o mesmo portal publica um guia com o que fazer, onde ir, melhores compras, restaurantes e hospedagens na ilha de Capri, de onde é possível ir de barco a Ischia, que fica a 35km.
Um divertido texto na newsletter Alex & Beyound conta como a dona do perfil, que escreve sobre viagens, vida na Europa e gastronomia, desperdiçou uma viagem à bela Elba porque a ilha não é como ela havia imaginado.
Na França_
Sim, cá estou eu com a Travel+Leisure novamente, mas não resisti às 14 pequenas e charmosas cidades francesas que ele indica para fugir do agito parisiense.
Mas se você quer Paris, aqui está o guia do Lonely Planet para um belo passeio pelo efervescente Le Marais.
E se você quer comprar perfumes em Paris como uma parisiense, siga as orientações da especialista em perfumes Clèmence Pelle que, aliás, disse à BBC que adora comprar no Le Marais!
O El País nos leva a Rouen, capital da Normandia, cidade onde morreu Joana D’Arc e que inspirou as obras de Monet.
Nas imagens_
Veja as maravilhosas fotos que venceram o World Food Photography Awards 2026.
E o curta-metragem que captura a alegria dos Moulids (festivais realizados em honra do nascimento de santos venerados) no Egito.
Na arquitetura_
Fui à casa do arquiteto, urbanista, visionário e 3 vezes prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, para entrevistá-lo, quando morei na capital do Paraná. A casa, que ele projetou nos anos 1960, é um reflexo de suas ideias. Ela está aberta ao público e é uma visita altamente recomendável para quem curte arquitetura. Lá funciona o Instituto Jaime Lerner.
Juntos, viajando separados_
“Eu te amo, mas não quero viajar com você.” Já passou por esta situação? Ela está cada vez mais comum. Matéria no New York Times discorre sobre o assunto.
A novidade desta edição é a estreia da série “Palavra de viajante”, em que converso com quem colocou em prática a vontade de conhecer novos lugares, culturas, hábitos e paisagens e que, das mais diferentes formas, colocou o pé na estrada. A primeira entrevistada é Josefa Feitosa. Tenha o prazer de conhecê-la!
Palavra de viajante_
No Instagram, ela é @Joviajando, uma mulher de cabelos azuis que viaja só e faz amigos por onde anda. E olhe que ela anda muito: até agora, 80 países visitados, uma enormidade de informações, alegrias e emoções em cada um e alguns perrengues fortes. A assistente social cearense Josefa Feitosa Acioly, 66 anos, se aposentou em outubro de 2016 e no mesmo mês começou a viajar. Para garantir suas andanças pelo mundo, desde 2008 ela guardava 10% do salário, além de todos os ganhos extras em cursos e disciplinas que lecionou em universidades particulares e cursos de formação para servidores da segurança pública do Ceará. “Também economizei nas despesas de casa, nas compras supérfluas e despesas com produtos e salão de beleza, que eram enormes,” conta, por email. Mãe de duas mulheres e um homem e avó (“um neto de 20 anos, uma neta de 1 ano e 3 meses e outra saindo do forninho no próximo mês”), depois de dois meses na Austrália, hoje ela está na Nova Zelândia. No Brasil só não conhece, “ainda”, o Amapá e Roraima.
Como se mantém para continuar viajando?
Jo: A reserva que fiz está aplicada e me ajuda a pagar as despesas de viagem quando o salário não é suficiente para me manter. Graças a ela consigo viajar e me manter em países caros como o que estou atualmente.
Como escolhe seus destinos?
Jo: Olho o mapa-múndi e escolho a região de um continente. Pesquiso sobre custo de vida, situação social e política, clima e documentação necessária para entrar no país.
Quantas viagens faz por ano?
Jo: Não planejo. Meu aniversário é em janeiro e gosto de passá-lo num lugar que não conheço. Nunca sei quando e de onde eu volto. Depois da pandemia diminuí o tempo das viagens. Antes viajava por um ano ou mais. Agora fico 4 a 6 meses e volto. Também viajo pelo Brasil.
O que te move a realizar novas viagens?
Jo: Sair para encontrar comigo mesma. Fico com saudade de mim aventureira.
Quais as vantagens de viajar só?
Jo: A liberdade de errar, de correr riscos, me reconhecer vulnerável e dona do meu destino, sem ninguém para atrapalhar.
Quais as emoções que as viagens te provocam?
Jo: Viajar é uma jornada emocional e são várias emoções. Sempre saio com os níveis de ansiedade e de medo altos. Depois vem o alívio, a alegria por conhecer e ver coisas novas, a liberdade do anonimato. Com o tempo e o cansaço, chega a tristeza pela falta dos filhos, das amigas, da zona de conforto e de nossas raízes. Aí volto com uma nova percepção de mim mesma.
O que gosta de fazer e conhecer nos novos lugares?
Jo: Gosto do centro das cidades, dos mirantes e das orlas de mar, de rios e de lagos. Das pontes turísticas, como as de Budapeste e de Praga. Visito mercados, feiras, cafés, parques, museus, galerias, lojas de antiguidades, brechós, bibliotecas, espaços de espiritualidade - igrejas, mesquitas, terreiros e sinagogas. Gosto das festas populares e de visitar a casa de quem me convida a conhecê-las.
Qual é a sua maior preocupação quando viaja?
Jo: Ficar doente, perder documentos e/ou cartões de crédito. Depois que caí do beliche em Buenos Aires, só viajo com seguro saúde.
Qual o maior problema que já enfrentou?
Jo: Em Nairóbi, no Quênia, fui confundida com uma imigrante ilegal.
Ao chegar à Austrália você teve um problema na hospedagem por causa da idade. Isto já tinha acontecido antes?
Jo: Sim, no Camboja. Por isso, quando reservei o hostel na Austrália, mandei mensagem falando a minha idade e solicitando a cama de baixo do beliche. Não havia nada informando sobre limites de idade. O pagamento já havia sido feito. Eu não esperava passar por aquele constrangimento. (Ela foi impedida de se hospedar porque tem 66 anos e conta o que aconteceu no Instagram)
Qual o país que mais te surpreendeu, para o bem e para o mal?
Jo: Honduras, para o mal, e Nova Zelândia, onde estou, para o bem.
Quais idiomas fala e como se vira onde não conhece a língua?
Jo: Só falo português. Tenho um pequeno vocabulário de inglês e espanhol que me salva. Mímica e Google Tradutor ajudam muito.
Há uma peça de teatro chamada “Egoísta”, inspirada em sua vida e que também discute expectativas sociais impostas às mulheres mais velhas. Por que este nome e como se sente com esta homenagem?
Jo: O diretor Juracy de Oliveira e a autora Sara Síntique sugeriram 3 nomes. Eu escolhi o que me representava. Fui altruísta uma vida inteira e queria, no tempo que me resta, ser egoísta. Cuidar de mim. É polêmico, mas eu só queria potencializar o meu amor por mim mesma, depois de uma vida cuidando de filhos, pais idosos e doentes, pessoas excluídas na marginalidade. Esta homenagem para mim é um troféu ganho na corrida pela vida digna. Nunca imaginei e nem sonhei ser aplaudida de pé em teatro lotado por 720 pessoas. É fácil aplaudir e homenagear uma mulher jovem e bonita, mas uma mulher preta, velha, nordestina e em vida, é muita coisa pra mim. Eu nem tenho palavras para definir o meu sentimento.
E aqui encerramos a 28a edição!
Gostaram da novidade?
Até a próxima!



Que vontade de ser um pouco como a Jô.
Quero ficar amigo da Jô ! e qdo crescer quero ficar igual = )