AVOA*30
FLIP, estadia grátis para quem viaja para tratamento médico, férias em São Paulo, turismo num país em guerra, trilha nas Cagarras e "Palavra de Viajante" com o casal que trabalha percorrendo o Brasil.
Na foto_

Na frase_
“Como aquela, esta viagem também vai acabar, como acabam as estações, os livros, os potes de sorvete e as fases da vida. Quando partir daqui, lembrarei dessa viagem como quem lembra de um sonho. Voltarei a dormir na esperança de continuá-lo, mesmo sabendo que os sonhos bons não se repetem."
Tamara Klink, navegadora, fotógrafa, escritora e arquiteta, em “Bom dia, inverno”.
Na crônica_
A língua é de quem habita
Pega a visão ou então cala-te , senão levas já uma galheta.
Nas redes sociais, o post de um português me surpreendeu: de forma empática, ele adotou três expressões brasileiras no seu vocabulário: pegar a visão, fingir demência e caraca. Num primeiro momento, parece uma simples curiosidade linguística — a observação bem-humorada de alguém que se surpreende com o próprio idioma. Na minha opinião, revela uma significativa transformação cultural do espaço lusófono contemporâneo. Quem a promove é o criador do perfil O Diário de um Wu (@pra.humanoser), português que partilha as suas reflexões nas redes sociais com espontaneidade. Nenhuma dessas expressões foi imposta por decreto, resulta de política pública ou foi ensinada em sala de aula. Chegaram pela convivência, pela internet, amizades, conversas com colegas de trabalho, nos casamentos, filmes e milhares de vídeos que circulam pelas redes. Chegaram porque a língua, quando viva, não tem medo de fronteiras — atravessa-as para continuar a expandir-se do outro lado.
Imaginamos a língua portuguesa como uma herança transmitida por Portugal. A realidade é mais interessante: o português continua a ser uma herança portuguesa, mas é, também , uma construção coletiva. Portugal moldou a língua. O Brasil remodelou-a. E continua a fazê-lo todos os dias. Quando um português diz caraca sem perceber, não está a perder a sua origem. Participa de uma comunidade linguística maior do que a geografia do seu próprio país. A língua portuguesa não se enfraquece quando acolhe novas vozes — demonstra sua vitalidade. A melhor imagem da lusofonia contemporânea é a de uma conversa. Num verdadeiro diálogo, todos falam, escutam e acabam por levar para casa palavras e sentimentos dos outros. Aconteceu comigo, recentemente, num jantar em casa de amigos portugueses - eu adoro estar com eles. Com muito humor, entre eles, um disse ao outro: “Cala-te, senão levas já uma galheta.” Fazendo referência aos tempos de criança onde as travessuras eram repreendidas pelos mais velhos. Adorei aprender — e rir — com eles sobre o quanto o nosso português é rico e cheio de nuances.
A MEMÓRIA CURTA DOS PURISTAS
O argumento histórico, por si só, é irrefutável. O português da atualidade não é o português de Camões. Não é a oralidade do século XVIII, muito menos o português ouvido em Lisboa há cento e cinquenta anos. Marco Neves — professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, investigador em Estudos de Tradução e um dos mais influentes divulgadores da língua portuguesa na atualidade — lembra que o ritmo e a sonoridade do português europeu sofreram transformações profundas ao longo dos séculos. Mais do que isso: alguns traços preservados no Brasil aproximam-se, hoje, de formas mais antigas da língua do que certos traços contemporâneos do próprio português de Lisboa. A questão é uma tensão inevitável: se a mudança é legítima quando ocorre dentro de Portugal, por que razão seria ilegítima quando chega do Brasil?
O BRASIL COMO FATOR DE EXPANSÃO
E aqui, lendo sobre o tema, encontrei outra voz decisiva — e ousada — para este debate: a do escritor, linguista e crítico literário Fernando Venâncio (1944–2025), doutor em Linguística pela Universidade de Amsterdam e autor, entre outras obras, de Assim Nasceu uma Língua e O Português à Descoberta do Brasileiro. Para Venâncio, a divergência entre o português europeu e o português brasileiro não deve ser encarada como fracasso ou declínio. É o comportamento natural de uma língua falada por centenas de milhões de pessoas em continentes distintos. O Brasil tornou-se uma das principais forças de projeção global do português — pela sua capacidade de produzir cultura, música, cinema, literatura, humor, e novos repertórios linguísticos que circulam pelo mundo através das redes sociais. A língua portuguesa contemporânea viaja também — e cada vez mais — pela voz do Brasil.
A IMIGRAÇÃO COMO LABORATÓRIO DA LUSOFONIA
Permito-me, aqui, a minha contribuição mais pessoal. Os brasileiros em Portugal não transportam apenas força de trabalho e investimentos. Transportam formas de falar, expressões, referências, humor, afetos e maneiras de narrar o mundo. O português que diz caraca sem perceber não é vítima de colonização cultural. É participante de um fenômeno mais interessante: a construção diária da lusofonia e afetos. O português é a sétima língua mais falada no mundo. Os brasileiros representam quase 80% dos seus falantes. Isso não é um detalhe demográfico — é uma realidade que transforma a dimensão intelectual e a projeção universal da língua. A presença brasileira em Portugal não é apenas um problema de imigração a ser resolvido. É a evidência concreta de que o português continua em movimento.
Uma língua suficientemente viva para acolher novas vozes sem deixar de reconhecer as suas próprias raízes porque a língua não pertence aos que a guardam com receio. Pertence àqueles que a usam com sabedoria. É por isso que o futuro do português não será escrito apenas em Portugal — nem apenas no Brasil. Será escrito na conversa contínua entre todos aqueles que decidiram habitá-lo. Como eu aprendi numa mesa de jantar lisboeta, entre risos, piadas e memórias de travessuras da infância: Cala-te, senão levas já uma galheta.
Na doença_
O Meio & Mensagem informa que o Airbnb.org está lançando programa que oferece acomodação gratuita para famílias e pessoas em deslocamento para tratamento médico. O projeto também está em outros nove países, como Tailândia, México, Estados Unidos e Espanha.
Nos passos_

Há alguns anos embarquei numa lancha na Marina da Glória para conhecer as Ilhas Cagarras, que ficam a cinco quilômetros da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Mas não pudemos pisar em nenhuma delas. Agora isso é possível: o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acaba de inaugurar a Trilha da Ilha Comprida, com 1,2 km de extensão. Mas atenção! Para chegar à ilha é preciso nadar alguns metros, do barco até sua costa.
Os leitores do jornal The Guardian indicaram as melhores trilhas de caminhada da Europa. Elas ficam na Itália, Espanha, Portugal, Suíça, Alemanha, Áustria, Suécia, Polônia e Geórgia.
Na Copa (ainda)_
A Copa do Mundo 2026 termina no domingo (19/7), mas ainda pode inspirar boas viagens. O New York Times, por exemplo, propõe roteiros em alguns países cujas seleções se destacaram no campeonato: Noruega, Argentina, Cabo Verde, França e Inglaterra.
A Folha fala (do NYT) sobre o aumento do turismo no México provocado pela Copa e as restrições impostas por Donald Trump.
Nos “quistões”_
Entre os nove países asiáticos cujos nomes terminam em “ão”, quais você gostaria de conhecer? Afeganistão, Azerbaijão, Butão, Cazaquistão, Paquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão ou Uzbequistão? A Euronews indica uma viagem às “maravilhas naturais da região de Zhetysu, no Cazaquistão.” E a Travel Magazine explica porque os turistas ecologicamente conscientes devem visitar o Karakalpakstan, no Uzbequistão.
Nas melhores_
As cinco primeiras cidades do mundo com a melhor qualidade de vida, segundo o ranking 2026 da Economist Intelligence Unit, são Copenhague, na Dinamarca, Viena, na Áustria, Melbourne e Sidney, na Austrália, e Zurique, na Suiça. O estudo da divisão de pesquisa e análise do Economist Group é baseado em critérios de estabilidade, saúde, cultura, meio ambiente, educação e infraestrutura. O La Nacion conta como é viver nas top 5.
Na Grécia_

A jornalista Juliet Rix, da Wanderlust, encontrou na ilha de Syros, no arquipélago das Cíclades, as águas turquesas do Mar Egeu, a gastronomia e os mesmos encantos das famosas Mikonos e Santorini, com uma diferença: sem multidões. Uma curiosidade: a ilha abriga cerca de 3.000 gatos selvagens saudáveis e amistosos.
No Brasil_

A Viagem e Turismo tem boas sugestões para quem está passando as férias de julho com as crianças em São Paulo.
A 24ª. FLIP 2026 será na próxima semana, entre os dias 22 e 26/7, e homenageia a poeta paulista Orídes Fontela. Veja sua programação oficial aqui e, a paralela, no Publishnews.
A revista Unquiet percorreu a rota dos alambiques no norte de Minas Gerais.
Já morei em Recife e amo aquela cidade. Veja o que fazer na capital pernambucana no Viaje na Viagem.
No conflito_
Os conflitos provocados pela anexação ilegal da Crimeia pela Rússia, em 2014, arrasaram a principal fonte de renda da península: o turismo. Mas nem os bombardeios, a escassez de energia e de combustíveis, nem a tensão da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que tenta retomar o território, impedem a chegada de viajantes. É o que mostra o jornalista Javier G. Cuesta, do El País. Na matéria, ele descreve a degradação causada pelos conflitos e conversa com quem, apesar de tudo, ainda decide visitar a península.
Palavra de Viajante_
Conheci o Gabriel Portas profissionalmente há alguns anos. Desde então, ele me ajuda a dominar meu caos financeiro e a conquistar o equilíbrio econômico. Numa de nossas primeiras conversas, quando contei que meu sonho é conhecer novos lugares, culturas e pessoas, Gabriel me surpreendeu com seus planos de viajar com a mulher, Isabela, e o caramelo Fred.
Há três anos eles embarcaram numa Land Rover Defender 110 ano 2000 adaptada e saíram de Campinas em direção ao Brasil. Já visitaram 20 estados e a Guiana. Desde então, o fundo de tela de nossas reuniões passou da estante de seu escritório para o de uma sala virtual. Entre cifras e contas, ele sempre tem boas histórias sobre os lugares por onde passaram ou onde estão estacionados.
No meio da viagem, a gatinha Mia os adotou e embarcou na aventura. Passado um tempo, trocaram o jipão por um motorhome e seguem compartilhando com humor, leveza e belas fotos, o que rola na viagem. Para acompanhá-los, siga o perfil @MundoVistodePerto, no Instagram, Threads e Youtube.
As respostas abaixo são do Gabriel, com a Isa ao lado.
Quem são vocês?
Somos Gabriel, 35 anos, consultor financeiro, e Isa, 34 anos, vendedora, um casal que escolheu viver a vida conhecendo o mundo, viajando com nossos bichos, Fred e Mia, e levando nossa casa nas costas.
Por que decidiram viajar desta forma e desde quando estão na estrada?
Iniciamos nossa viagem em 23 de agosto de 2023, ou seja, há mais de mil dias! Viajar por longos períodos sempre foi um sonho e estávamos cansados da vida convencional. Queríamos conhecer o mundo através das experiências vividas por nós e não só pelas histórias, reportagens, filmes ou livros. Sem o viés de quem transmite uma opinião. Queremos contar histórias do que vivemos, não as dos outros.
Desde quando pensavam em sair numa viagem como esta?
Desde que nos conhecemos por gente. Sempre que viajava, eu nunca estava pronto para a volta: queria descobrir o que vinha em seguida e o que tinha para ser descoberto na próxima cidade. Mas as viagens tinham data pra acabar. Aos poucos fomos descobrindo que era possível sair sem pensar em voltar e essa virou sua obsessão. Casar com alguém que também ama viajar é como juntar a fome com a vontade de comer.
Como se planejaram e há quanto tempo?
Entre nos organizarmos financeiramente e preparar o carro, foram seis anos de planejamento. O primeiro veículo, a Glória, era uma Land Rover Defender 110 ano 2000 que havia sido uma viatura da polícia. Transformar uma quase sucata em veículo confiável e em uma casa consumiu muito tempo e dinheiro.
Além da reserva financeira, como se mantêm na estrada?
A ideia inicial era tirar um período sabático de dois anos, dedicado exclusivamente à viagem. Por isso poupamos o suficiente para o período. Mas como mantive meu trabalho e, no terceiro mês de viagem, a Isa também conseguiu emprego remoto, hoje vivemos dos nossos ofícios, sem depender de reservas (apesar de indispensáveis). Não monetizamos redes sociais, não recebemos aluguéis e nem patrocínio.
O que é preciso para viajar como vocês?
Para viajar só é preciso disposição e coragem. É a verdadeira representação do “quem quer dá um jeito”. Há quem viaje a pé ou de bicicleta, sem dinheiro, acampando em qualquer lugar. Há quem não abra mão de um hotel com café da manhã e sala VIP. Nossa opção exige um pouco de coragem, de disposição e de organização. Não vivemos de férias. Temos um estilo de vida nômade, com todos os compromissos de uma vida convencional e o benefício de poder mudar sempre de endereço.
Como adaptaram a Land Rover?
Primeiro investimos na confiabilidade do veículo e, depois, na transformação em casa, que foi feita por nós, com ajuda de alguns profissionais específicos (marceneiro, eletricista etc). Tudo na base de muitas pesquisas e YouTube. Chegamos ao ponto em que já não haviam mais vídeos em português, inglês e espanhol para assistir. Aí passamos aos alemães, turcos e por aí afora.
Quanto tempo viajaram de jipe e por onde passaram?
Vivemos 1 ano e 7 meses de jipe e foi uma experiência inesquecível. Ele nos levou a lugares únicos sem que precisássemos nos preocupar com o estado das estradas e trilhas. Fizemos a Transpantaneira, cruzamos a BR-319 (une Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e é a única ligação terrestre entre o estado do Amazonas e o restante do Brasil. A maior parte de seus 885 km não é pavimentada), chegamos a Uiramutã, o município mais setentrional do Brasil, no meio da reserva indígena Raposa Serra do Sol, descemos o rio Amazonas de balsa, rodamos pela Transamazônica, cruzamos o Parque dos Lençóis Maranhenses subindo dunas e atravessando lagoas com água na altura do capô.
A Land Rover é uma máquina incrível, que nos permitiu chegar a lugares inimagináveis e nos deu a oportunidade de conhecer muitas pessoas legais. A comunidade landeira é muito acolhedora e nos salvou inúmeras vezes. Além disso, o carro é um ícone e chama atenção, o que nos abriu muitas portas pelo caminho. Apesar de todos esses pontos positivos, a Defender deixava a desejar em conforto e, beirando os dois anos de viagem, optamos por trocar a facilidade de acesso e a aura clássica por algo mais cômodo.
E onde já foram com o motorhome?
Estamos com ele há um ano e já fomos ao Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco, onde estamos agora. A vida no motorhome é mais confortável e também mais lenta. Não precisamos nos deslocar tanto e qualquer lugar pode ser um ponto de parada. Enquanto rodamos quase 40 mil quilômetros por ano no Defender, com o motorhome custamos a ultrapassar os 10 mil.
Onde estão e para onde pretendem ir depois?
Estamos em Petrolina (PE). Daqui queremos conhecer o interior do Piauí e seguir para o Tocantins.
Como incluíram o Fred e a Mia na viagem?
O Fred já era nosso cachorro e deixá-lo fora da viagem nunca esteve nos planos. A Mia nos adotou em um camping de Santo Amaro, nos Lençóis Maranhenses. Nem sempre é fácil viajar com animais. Mas não há o que pague a alegria de tê-los por perto. Não é qualquer pessoa que tem um caramelo que conhece 19 capitais do Brasil. Ou uma gata que é tatatatatataraneta da gata de Maria Bonita. Além disso, eles são ótimos para puxar assunto e iniciar amizades. As histórias são incontáveis.
Há uma rota pré-estabelecida?
Há o desejo de “onde ir”, mas nunca um roteiro pré-definido. Os planos na estrada mudam constantemente. Brincamos que eles só são válidos até 0h e depois expiram.
Estabelecem um tempo para ficar nos lugares?
Também não. O que define o tempo é como nos sentimos em cada lugar.
Amigos, clima e preços importam. Se cansamos de um local, seguimos. Se enjoamos de praia, vamos para a serra e assim por diante.
Já ficaram parados no meio do nada por problemas mecânicos?
Já tivemos problemas mecânicos, mas nunca ficamos parados no meio do nada. Nossa junta de cabeçote queimou no interior da Bahia, num deslocamento de 2.000 quilômetros. Por duas vezes o filtro de óleo soltou e nos deu um baita susto. E perdemos o freio do ônibus chegando em Itaúnas (ES). Esse quase foi sério. A verdade é que, com o tempo, aprendemos a ouvir o carro e antecipar os problemas sem desespero.
Viajam com seguro saúde ou contam com o SUS?
Por 2,5 anos contamos só com o SUS e foi muito bom. O atendimento sempre foi rápido e eficiente. Fizemos inclusive atendimentos no centro de medicina do viajante no hospital Emílio Ribas, do SUS em São Paulo (capital). Lá nos instruíram a lidar com uma série de problemas que poderíamos ter, nos testaram e vacinaram. Foram mais de 10 vacinas. Tudo gratuito. Viva o SUS! Há 6 meses contratamos um plano e recentemente fizemos um check-up geral.
Quais os lugares que mais surpreenderam vocês para o bem e para o mal?
Para o bem: Uiramutã (RR) e uma dolina secreta em Nobres (MT), pelas belezas naturais. Pipa (RN), pela vibe. Ilha do Ferro (AL), pela autenticidade. Na verdade, esta lista é imensa.
Para o mal: Jericoacoara (CE) e Maragogi (AL), pelo turismo intenso e predatório e a estrutura precária.
Houve algum lugar onde vocês pensaram em ficar para sempre?
A Chapada Diamantina mexeu com nossos corações. Tivemos que ir embora para não comprar um terreno.
Qual o pior perrengue que já passaram?
Estamos passando por um atualmente, que é a doença da nossa gatinha. Mas já tivemos a junta de cabeçote queimada longe de tudo. Uma infecção estomacal que deixou a Isa quase uma semana de cama, onde não havia nenhum recurso. A travessia da BR-319 e o dia em que um grupo de indígenas nos ameaçou com arco e flecha.
Quais os cuidados que tomam para viajarem com segurança?
Evitamos situações em que nos sentimos inseguros e não viajamos à noite.
O que este tempo de estrada está oferecendo de melhor a vocês?
A oportunidade de conhecer lugares e sobretudo pessoas incríveis. Assim valorizamos cada vez mais a vida e as riquezas do nosso país.
Como esta viagem está influenciando a percepção de vida de vocês?
Estamos nos dando conta de que a vida, na verdade, pode ser muito simples. Nós é que geralmente a complicamos.
O que, de mais legal, vocês estão percebendo sobre o Brasil e o povo brasileiro?
Que o Brasil é o melhor país do mundo e que deve ser horrível não ser brasileiro. Que o Brasil não é um só, mas diferentes Brasis, completamente diversos entre si mas, ainda assim, um só. Que o Brasil é muiiiito grande, muito maior do que a gente imagina.
Depois do Brasil, para onde pretendem ir?
A ideia é conhecer a América do Sul, começando pela Argentina.
Pensam em parar um dia?
Parar não está nos planos. Acredito que só morrendo é possível parar de viajar. Mas queremos experimentar outras formas de viagem. Bicicleta, moto, veleiro. Se um dia o motorhome não fizer mais sentido, tá tudo bem.
Vocês mudaram os critérios de alimentação, economia, higiene e limpeza nesta viagem?
Na essência continuamos os mesmos, mas menos consumistas e, com certeza, com banhos mais rápidos.
O que ficará desta viagem daqui uns anos?
Muitas lembranças. Mas o principal mesmo são as pessoas que cruzaram nosso caminho, que nos ajudaram e acolheram. Essa é a maior riqueza.
São muitas as maneiras de viajar pelo mundo e pela vida e é disso que procuro falar em cada edição da AVOA.
Espero que tenha gostado de tudo o que ela trouxe até agora.
Entrego esta edição e já começo a busca pelos assuntos mais interessantes e as informações que alimentam e inspiram quem acredita que a vida pede coração aberto, olhos atentos, movimento, conhecimento, boas conversas e belas paisagens.
Até a próxima!




A frase da Tamara Klink sobre as estações, potes de sorvete e fases da vida me encanta por me permitir sonhar com as surpresas que as novas estações, outros sabores e fases, com novas aventuras, estão por vir.
Peguei a visão do portuga!