AVOA*31
A cidade Art Nouveau da Romênia, a plataforma de viagens da IA em 14 idiomas, a livraria de Dua Lipa, onde o brasileiro não precisa de visto, controle de voos a Fernando de Noronha e uma bela crônica.
Na foto_

Na frase_
“Viajar intensifica alguns sentimentos e minimiza outros. Te faz ver o problema de outro ângulo, te lembra que existe vida fora da sua, que o mundo é grande e qualquer coisa ainda dá pra largar tudo e começar de novo em algum lugar do mundo”. Ingrid Guimarães, atriz.
Na crônica_
A busca pela terra fértil da AIMA
Todos nós somos grãos à procura de uma terra que nos permita germinar
Em 2013, concebi, codirigi e coproduzi o espetáculo de dança Grão, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com direção artística do bailarino e coreógrafo Rubens de Oliveira. O elenco, formado por não bailarinos de dezoito a sessenta e três anos, homens e mulheres de diferentes credos, gêneros e identidades, encenava os ciclos da vida. Do arar a terra, a germinar as sementes, passando pelas pragas, os deslocamentos até a colheita e sempre como metáfora humana os ciclos que enfrentamos para viver.
Na estreia, um antigo colega de um curso de roteiro de cinema, que não via havia muitos anos, leu a crítica sobre o espetáculo no jornal e, ao ver meu nome, foi me encontrar no teatro e me presenteou com um livro: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, do filósofo e escritor francês André Comte-Sponville.
Só depois entendi por que aquele reencontro aconteceu ali. Grão encenava o deslocamento como metáfora; o livro, de virtude como fundamento. Deste cruzamento nasce o ensaio que segue.
Toda imigração é um espetáculo.
Tem cenário, luz, drama, romance, alegria, deslocamento e, em vez de música, é regida por números, estatísticas e políticas públicas. Nesse espetáculo da vida real, temas como fronteiras, economia, conflitos, identidade nacional e segurança são pilares para discussões partidárias junto à sociedade civil. Não se fala de homens, mulheres, crianças e famílias que atravessam territórios. Fala-se, pejorativamente, do imigrante — assim, recentemente, se falou do garoto brilhante, como tantos outros menos famosos, que venceu a Copa do Mundo de 2026 com seu jogo mas, principalmente com sua história.
É nesse momento que a leitura do Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Comte-Sponville, se torna um convite à reflexão. A obra não discorre sobre imigração, mas oferece um caminho para compreender o comportamento humano diante das escolhas, conflitos e da complexa convivência. Percorri em poucos dias as dezoito virtudes apresentadas pelo filósofo, pelas vozes de pensadores que vão da Grécia antiga à contemporaneidade, percebi que nenhuma sociedade se sustenta apenas por leis ou instituições. Existe uma dimensão ética que antecede qualquer organização política: a maneira como um ser humano olha para o Outro.
A imigração é um dos lugares onde essa dimensão se revela com maior intensidade. De um lado está quem parte. Do outro, quem recebe. Ambos atravessam fronteiras, ainda que apenas um deles mude de país. Quem deixa sua terra precisa aprender uma nova língua, costumes e outras referências. Quem acolhe - ou simula que - também é desafiado a rever certezas, enfrentar receios e reconhecer que a diferença não é uma ameaça.
Entre esses dois movimentos, algumas virtudes deixam de ser conceitos da filosofia para assumir a forma de atitudes. Surgem decisões, gestos cotidianos, capacidade de ouvir, esperar, respeitar e de reconhecer limites. Não pertencem exclusivamente ao imigrante nem ao cidadão que o recebe. Circulam entre ambos, porque toda convivência exige reciprocidade.
Escolhi algumas virtudes, que parecem ganhar maior relevância diante da experiência migratória contemporânea. Coragem, lealdade, esperança, temperança, amor e justiça não aparecem aqui como resposta , mas como estrutura necessária para entender o ato de migrar.
A coragem é a primeira delas. Não apenas a coragem de partir, motivada pela necessidade ou oportunidade - talvez desejo , mas também a coragem de receber alguém cuja história, cultura e costumes são diferentes dos nossos. A fronteira não separa apenas territórios; ela também separa medos, expectativas e formas distintas de compreender o mundo.
A lealdade surge em seguida, não como fidelidade cega ao passado, mas como compromisso com aquilo que constitui cada pessoa. O imigrante não precisa abandonar sua memória para construir uma nova vida. Da mesma forma, uma sociedade não precisa abrir mão de sua identidade para reconhecer a dignidade de quem chega. A convivência exige equilíbrio.
A esperança talvez seja a única virtude que consegue atravessar todas as fronteiras sem precisar de passaporte. Ela acompanha quem parte, sustenta quem espera e também desafia quem acolhe a acreditar que o encontro entre culturas pode gerar aprendizado.
A temperança aparece quando a convivência substitui as primeiras impressões. Ela impede que o medo se transforme em intolerância e que o entusiasmo ignore as dificuldades reais da integração. Ensina que toda aproximação humana exige tempo.
O amor, compreendido como reconhecimento da humanidade do Outro, é a virtude mais bela e silenciosa. Não se manifesta em grandes discursos, mas na disposição de enxergar uma pessoa antes de enxergar sua nacionalidade, religião ou origem. É um exercício de humanidade antes de ser um exercício de afeto.
Por fim, a justiça recorda que nenhuma dessas virtudes encontra plenitude se permanecer apenas na esfera das intenções. A dignidade humana depende de escolhas individuais, mas também de estruturas sociais capazes de assegurar direitos, oportunidades e responsabilidades compartilhadas.
Ao reunir essas virtudes em torno da imigração, este ensaio não procura oferecer soluções para um dos fenômenos mais complexos do nosso tempo. Sugere que, antes das políticas, das ideologias, preconceitos e, antes das fronteiras, existe uma pergunta que atravessa séculos de filosofia e permanece atual.
Como desejamos viver uns com os outros?
No PIX_
O pix passa a valer em oito países e se torna uma alternativa de pagamento mais barata do que o cartão de crédito, porque evita o IOF cobrado nas compras internacionais. Ele já pode ser usado no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. Mas atenção: não existe um Pix internacional oficial mantido pelo governo brasileiro fora do país. No ICL Notícias.
Na Inteligência Artificial_
A empresa de tecnologia australiana Regovix lançou a Madram Milsan AI, plataforma que oferece gratuitamente planejamento de viagens feito por IA, em 140 destinos de 80 países, e em 14 idiomas, inclusive o Português. Ela não exige cadastro ou assinatura, não tem propaganda e a Regovix diz que seu objetivo é simplificar a vida dos viajantes oferecendo a possibilidade de organizar todo o roteiro usando um único sistema. Mais detalhes no Russian Tourism News.
Nos aeroportos_
A CNN Brasil conta que o aeroporto Noto Satayama, no Japão, foi reinaugurado no início de julho como "Aeroporto Noto Satoyama Pokémon With You", decorado com o tema da franquia, que completa 30 anos em 2026. A parceria entre a província de Ishikawa e a Fundação Pokémon With You foi feita para apoiar a recuperação da península de Noto, atingida pelo terremoto de 2024, através do turismo.
Eu curto aeroportos e ao ler esta matéria da CNTraveler deu vontade de conhecer os sete aeroportos mais bonitos do mundo, segundo o Prêmio Versalhes de arquitetura, que elege o melhor do design contemporâneo no mundo. Com essa beleza toda, chegar a um destino fica melhor ainda.
Segundo a Folha, o governo de Pernambuco pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) que refaça a distribuição de horários de pouso e de decolagem das companhias aéreas em Fernando de Noronha, para que a oferta de voos não ultrapasse os 11 mil visitantes por mês, limite estabelecido pela União e o Estado.
Na Itália_

Para impulsionar o turismo religioso, a Itália lançou o “Caminho de São Francisco”, com 1.546 quilômetros e que percorrerá seis regiões do país: Abruzzo, Emilia-Romagna, Lazio, Marcas, Toscana e Úmbria, onde está a cidade de Assis.
A CNTraveler destaca a cidade de Levanto, na Spezia, como opção para quem quer fugir do excesso de turistas de Cinque Terre, no litoral italiano. Ela fica a 11 km de Monterosso al Mare, uma das cinco cidades, e é mesmo bem charmosa.
A mesma revista indica 12 praias próximas a Roma. Quem estiver com calor na capital e quiser dar um mergulho no mar, é fácil. Fiquei uns dias em Anzio, uma delas, e me arrependi de ter saído de lá para me instalar em Roma. Poderia ter ido saracotear durante o dia e voltar para a praia à noite, sem cansaço. Os trens que saem das cidades litorâneas deixam os passageiros na estação Termini, de onde saem ônibus e metrô para toda Roma.
No Brasil_
Além de visitar as cataratas, o UOL Flash sugere dois passeios no Parque Nacional do Iguaçu.
O Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), em São Paulo, recebe, de 6/8 a 12 de outubro, a mostra "Miró: Mestre das Formas". São pinturas, gravuras, esculturas, tapeçarias e fotografias. Algumas pertencem à família do artista e outros nunca saíram Espanha.
Brasília tem city tour gratuito num ônibus movido a hidrogênio verde. Ele percorre quase todo o eixo monumental e passa por diversos pontos turísticos da capital federal. Saiu na Folha.
Existe uma praia no Guarujá onde só é possível entrar com autorização. O G1 mostra a Praia do Monduba, no Parque Ecológico e Militar Forte dos Andradas. O acesso a ela depende de autorização do Exército Brasileiro porque Monduba integra o complexo onde funciona o quartel-general do Comando de Defesa Antiaérea do Exército.
Um estudo da Amadeus em parceria com a ONU Turismo apontou o Brasil como o segundo destino mais procurado das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos. Na CNN.
Em Barcelona_

Dezesseis milhões de pessoas: este é o limite de visitantes que Barcelona receberá por ano. Assim a cidade espera reduzir os efeitos do turismo excessivo e devolver aos moradores os espaços que perderam para ele. No Terra.
Lembrando que a cidade vai proibir todos os aluguéis de curto prazo, como o Airbnb, até 2028.
Para quem vai para a capital da Catalunha, um roteiro montado pelo Viaje na Viagem.
Nos livros_
Em junho, a cantora e compositora britânica Dua Lipa inaugurou a Biblioteca Manifesto, composta por 100 livros proibidos e essenciais para entender a contemporaneidade. Ela fica na histórica Lello, no Porto, em Portugal, e faz parte da comemoração dos 120 anos da livraria. "O Avesso da pele", de Jefferson Tenório, e "Olhos d ‘Água", de Conceição Evaristo, fazem parte da biblioteca. Em matéria da Casa Vogue.
O Leia Mais Jornalistas, perfil no Substack, publicou a lista com cinco livros que se passam em cidades e os lugares que eles revelam, feita pelo jornalista João Correia Filho, fundador da editora Mireveja.
Na Adventure, a escritora Chrissie McClatchie fala sobre o movimento de recuperação mundial das livrarias independentes e porque na França elas nunca morreram.
Nos vistos_
O UOL mostra cinco países onde os brasileiros não precisam de visto para entrar.
Brasileiros podem continuar a entrar no Japão sem visto até 2029. A isenção vale quem vai ao país em viagens de até 90 dias consecutivos e que tenham passaporte brasileiro válido e eletrônico. Na Melhores Destinos.
No alerta_
Álbum de viagem




Oradea, a joia Art Nouveau da Romênia
Oradea é uma surpresa agradável. No noroeste da Romênia, cortejada pelo rio Crișul Repede, a cidade se destaca como um dos mais importantes conjuntos Art Nouveau da Europa Central, resultado do desenvolvimento econômico vivido no final do século XIX e início do século XX.
Parcialmente destruída por um incêndio em 1836, sua reconstrução, nos anos seguintes, foi planejada pelo engenheiro vienense Franz Anton Hillebrandt, que seguiu o estilo arquitetônico austríaco denominado Secessão, a vertente local do movimento global que ficou conhecido como Art Nouveau, com fachadas adornadas em tons de rosa claro, azul, verde e branco.
Ao caminhar por suas ruas e praças, percebe-se uma rara harmonia entre as influências húngaras, romenas, judaicas e austríacas que moldaram sua história. As fachadas coloridas, os detalhes decorativos e a preservação exemplar do patrimônio transformam a cidade em um verdadeiro museu a céu aberto.
Suas obras mais proeminentes são o Palácio Moskovits Miksa, construído em 1905 pelos arquitetos húngaros Marcell Komor e Dezső Jakab, cujas fachadas ornamentadas representam uma das expressões mais refinadas da Secessão Húngara. Na opinião dos locais e dos experts em turismo, ele representa o espírito Art Nouveau da cidade.
Outro destaque é o Palácio Vulturul Negru (Águia Negra ), erguido entre 1907 e 1908 pelos arquitetos Marcell Komor e Dezső Jakab, na Piața Unirii (Praça da União). Ponto de encontro para os bares, cafés e restaurantes que estão ao redor, seu famoso vitral com a figura da águia tornou-se um dos símbolos de Oradea e um dos mais belos exemplos do Art Nouveau da região.
Merece destaque também o Palácio Rimanóczy, concluído em 1905 pelo arquiteto Kálmán Rimanóczy Jr., cuja obra contribuiu decisivamente para a identidade arquitetônica de Oradea. Sergio Ignacio
E aqui termina a AVOA*31.
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Um abraço e até a próxima!



A certeira percepção e observação da @ingridguimaraes vai ao encontro do Ensaio @publicobrasil.pt.br no https://www.publico.pt/2026/07/31/publico-brasil/opiniao/busca-terra-fertil-aima-2183647
Faz tanto tempo que eu não ouvia sobre o Ricardo Freire. Redator lendário da Talent e realiza o sonho de 9 de 10 ex-publicitários a anos, viver só de viajar. Pelo menos é o que eu acho. hahahaha