AVOA*10
Cada vez mais mulheres querem viajar sozinhas, um pouco do Uruguai, a delícia de turistar sem pressa e outros assuntos interessantes.
A foto_

Mulheres em movimento_
Para quem, em pleno século 21, ainda questiona o fato de que mulheres viajam sozinhas, é bom saber que pesquisas internacionais apontam que viagens femininas solo são um movimento crescente. Para a Globetrender, agência de previsão de tendências de viagens do mundo, estamos entrando na era da Femmefluence. A Solo Female Travel Trends Survey, que se define como único estudo de pesquisa global sobre viagens individuais femininas, indica que a viagem solo de mulheres é uma tendência dominante.
Segundo pesquisa do Instituto Think Olga, em parceria com o projeto Sonhe como uma Garota, viajar é o principal sonho das brasileiras, independente de idade ou classe social. O governo federal tem programa para incentivar o turismo feminino e existem muitos serviços voltados a este público no Brasil.
Viagem não tem idade_

Em 1954 a fazendeira Annie Wilkins tinha 63 anos, havia perdido tudo e seu médico havia lhe dado 2 anos de vida. Em vez de ir para a casa de repouso que ele recomendou, juntou o dinheiro que tinha e comprou o cavalo Tarzan. Com ele, o cachorro Depeche Toi e o cavalo de carga Rex (que morreu no fim da viagem) cruzou os Estados Unidos do Atlântico ao Pacífico, onde chegou em 1956. A viagem, que a tornou famosa, está em dois livros: “Last of Saddle Tramps”, onde ela conta a aventura, e “The ride of her life”, de Elizabeth Letts. Aliás, Annie ainda viveu mais 25 anos.
Um ano depois de Annie partir a cavalo em direção ao Pacífico, Emma Rowena Gatewood, com 67 anos, mãe de 11 e avó de 23, tornou-se a primeira mulher a percorrer sozinha os 3.524 km da Trilha dos Apalaches. nos Estados Unidos. Saiu da Geórgia de tênis Keds e levando um cobertor militar, uma capa de chuva, uma cortina de chuveiro e uma muda de roupa na bolsa que ela mesma havia feito. Atravessou 14 estados em 146 dias. Emma voltou a percorrer a trilha em 1960 e 1963, aos 76 anos. Suas aventuras estão no livro “Grandma Gatewood’s Walk, de Ben Montgomery.
Viajantes nos livros_
Lembrando o debate provocado pela morte da brasileira Juliana Marins no monte Rinjane, na Indonésia, a revista Gama indica livros escritos por mulheres viajantes. Alguns eu já citei na primeira edição da AVOA e na AVOA*4, mas nunca é demais indicar bons livros.
Com seus cães_
Há alguns anos a paulista Ana Clara Uchoa, de 25 anos, deixou o trabalho CLT para viajar com sua cachorra Ísis no seu Celta, agora transformado em motorhome. Já percorreram o litoral brasileiro e há algumas semanas saíram de São José dos Campos (SP) em direção ao Peru, mostrando a beleza da natureza, as cidades, as delícias e os perrengues da aventura.
Pamela Lourenço, que era cirurgiã dentista, já viajou por parte da América do Sul e do sul do Brasil e agora está na Serra da Canastra (MG) com seu golden Jorge. Eles vivem numa Pajero Full que também virou motorhome. Em suas redes é possível acompanhar desde o preparo da viagem de Pamela e Jorge até agora, com paisagens e lugares bacanas por onde passam, os problemas que enfrentam e boas informações para quem também quer viajar com seu cachorro.
Medidas e preços_
O Comitê de Transporte e Turismo do Parlamento Europeu aprovou proposta que alivia o bolso dos passageiros das empresas aéreas, eliminando a cobrança para quem levar malas pessoais de até 40x30x15 centímetros e bagagens de mão com até 100 cm, pesando 7 kg, no máximo. A regra terá de ser confirmada pelo Parlamento e, se for, pode entrar em vigor em 2026. Lógico que o mercado já está em polvorosa.
A RyanAir reagiu anunciando que aumentará o tamanho da bagagem de mão gratuita em suas viagens: hoje são 40 cm por 25 cm por 20 cm e passarão a ser 40 cm por 30 cm por 20 cm em breve.
No Brasil, a mala de mão precisa ter, no máximo, 10 kg. Suas dimensões, somadas, não podem ultrapassar 115 cm (altura, largura e profundidade), incluindo rodinhas e alças. Se a bagagem não couber no gabarito das empresas aéreas na hora do embarque, o passageiro vai ter que despachá-la e pagar.
Na terra de Mujica_
O Uruguai não é um país barato, mas é bonito e interessante. Tenho muita vontade de conhecê-lo. Minha admiração por Pepe Mujica e o fato de que estou morando em Florianópolis, que recebe muitos uruguaios, aguçam a minha curiosidade. Só fui a Colonia del Sacramento, a partir de Buenos Aires, e fiquei encantada. Além disso, todos os amigos que visitaram a terra de Mujica só trouxeram elogios. Por isso fui atrás de mais informações sobre o país para a AVOA.
O Viaje na Viagem dá informações sobre o que há de bom para conhecer na capital, Montevidéu. O site Worldpackers, que oferece vagas de voluntariado em todo o mundo, também dá boas dicas.
Vizinho do Rio Grande do Sul, o Uruguai fica a 1.900 km de São Paulo. Quem gosta de longas estradas pode ir de carro, parando pelo caminho. Os voos de São Paulo levam 2h45. Também há linhas diretas de Porto Alegre e do Rio de Janeiro. A moeda é o peso uruguaio, mas dólar e cartão de crédito são bem aceitos. Para entrar no Uruguai basta a carteira de identidade (em bom estado) ou o passaporte válido.
O Uruguai tem 250 quilômetros de praias voltadas para o Atlântico, bem diferentes das brasileiras, e 425 quilômetros no Rio da Prata. A capital, Punta del Leste e Colonia del Sacramento são seus destinos mais famosos, mas o país tem vida rural rica, gastronomia saborosa, bons vinhos, parques e reservas naturais e fontes termais.
Só no sapatinho_
Mais uma da revista Gama: matéria sugere como embarcar na onda do turismo calmo, consciente, sustentável e imersivo. A expressão conhecida é “slow travel”, mas eu gosto de falar em português, “viagem lenta”. (Se você ainda não conhece a Gama, vai lá. É bem boa.)
Larissa Vieira, colunista do VivaBem, do UOL, conta sobre suas férias sem compromisso ou horários.
Cavernas reconhecidas_

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas Gerais, fica a quase 700km de Belo Horizonte, tem 56.448 hectares e mais de 200 cavernas. ((Foto de Rainer Seffrin, do Ministério do Meio Ambiente) O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, que eu mostrei na AVOA*9, foi reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O parque tem sítios arqueológicos com vestígios humanos de até 12 mil anos, pinturas rupestres e flora com espécies da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga.
Rapidinhas_
Quando criança sonhava ser faroleira numa ilha. O Atlas Obscura traz em seu perfil 6 faróis entre os mais isolados do mundo e não é que deu vontade novamente?
O site Bookcafe.com indica lugares em várias cidades do mundo que unem café e literatura. O perfil Lettorinviaggio cita 10 “book bar” imperdíveis na Itália.
O site The Thrillist sugere opções de hospedagem para fugir dos altos preços do AirBNB e dos hotéis.
E aqui termina mais uma edição da AVOA! Espero ter te inspirado e informado sobre viagens e cultura. O objetivo é esse!
Até a próxima!






Olá, Annamaria! Pelo Notes, descobri agora a sua AVOA, e já adoro. Antes de me mudar para Portugal, morava em Santa Catarina, de onde já fui mais de uma vez ao paisito, de carro. O Uruguay, para mim, é a definição de buena onda, em tudo. Por fim, você já leu "Caderno de faróis", da Jazmina Barrera? Deixo a sugestão e um abraço!
Uruguai: muito bom, mas não tem a ver com praias. É pra andar pelas ruas, entrar em livrarias, tomar vinho, comer coisas feitas na brasa. E tem também a Casapueblo.